Exposição de Joan Miró em Lisboa

Não perca as 85 obras de Joan Miró, expostas até 13 Fevereiro de 2018, no Palácio da Ajuda em Lisboa.

As 85 obras de Joan Miró, “Materialidade e Metamorfose”  em exposição em Lisboa, no Palácio da Ajuda, até 13 de Fevereiro de 2018.

Esta exposição reúne os quadros de Miró que pertenciam ao ex-BPN, inicialmente expostos na Fundação de Serralves e que agora se encontram na Palácio da Ajuda.

Pode dar uma olhada à exposição lendo o artigo e vendo as imagens e vídeo que publicámos, As obras de Joan Miró no Palácio da Ajuda – Encante-se!

Se quiser levar os miúdos consigo, então sugerimos que descarregue o jogo criado pela Fundação Serralves. Clique neste link para descarregar o jogo.

Também pode ter mais informação sobre quem é Joan Miró. O artista Catalão veio a falecer em Palma de Maiorca em 1983:

Clique na imagem para ver o artigo da “Comunidade Cultura e Arte“.

Joan Miro
Joan Miro

 

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Inúmeros números

Imaginemos uma aula em Atenas, na Grécia Antiga, sobre os inúmeros números que hoje conhecemos e porque razão eles são todos necessários e úteis.

Há números e números e são mesmo em grande número.

Escola Atenas
Escola Atenas

Comecemos pelo que podemos considerar o princípio, recorrendo a uma pequena história.

José, um jovem, decidiu ser pastor. Reuniu várias ovelhas e chegou um momento em que sentiu necessidade de as contar: uma, duas, três,… Fê-lo recorrendo aos números naturais (N). Digamos que utilizou aquele tipo de números que nos permitem efectuar contagens:

Eq 1

Note-se que o José apenas sentiu necessidade de contar, porque tinha algo para contar, isto é, o zero não é um número natural, se há ‘nada’ para contar não é preciso contar.

Entretanto, o nosso pastor, que apenas tinha 20 ovelhas, envolveu-se em negócios desastrosos com outro colega pastor, tendo ficado a dever 30 ovelhas, isto é, ficaram a faltar 10 ovelhas (passou a ter menos dez ovelhas) para o José poder cumprir as suas obrigações. Como era muito cuidadoso com as suas contas, pretendia registar esta dívida, mas, com os números disponíveis, os naturais, sentiu-se impossibilitado de o fazer.
Criou então os números inteiros negativos, que, reunidos com os números naturais, deram origem ao conjunto dos chamados números inteiros (Z):

Eq 2 v 2

Pois, tenho a certeza que estão a achar algo estranho nesta sequência … É isso, falta o zero!

A sua ausência é momentânea e é propositada. É que o zero é um número muito mais recente na história da evolução do conceito de número (prometo que mais tarde falaremos dele), mas é de facto considerado um número inteiro, assim:

Eq 3 v2

Nota: o símbolo lê-se e significa “reunido com”.

Então, na verdade temos:

Eq 4

Bem, o José entretanto casou com a Maria e começaram a pensar como dividiriam equitativamente o rebanho de oitenta e quatro ovelhas quando tivessem filhos. Como primeira hipótese começaram por imaginar que teriam quatro filhos e facilmente concluíram: seriam vinte e uma ovelhas para cada um (o resultado, vinte e um, é um número inteiro já conhecido).

Em seguida puseram a hipótese de virem a ter oito filhos e … oops, novo problema para resolver: o resultado não está disponível no conjunto dos números inteiros.
Foram assim criados os números fraccionários que, reunidos com os números inteiros, constituem o conjunto dos números racionais (Q), isto é, aqueles números que podem ser representados por uma razão ou fracção:

Eq 5

O José e a Maria ainda se lembraram de considerar a hipótese de não virem a ter filhos e concluíram que, nesse caso, não podiam efectuar a divisão pois não havia ninguém por quem distribuir as ovelhas.

Quer isto dizer que em matemática, tal como na vida real, não é possível efectuar divisões por zero!

Bem, que fique claro, não é possível nem é necessário, logo não se trata de nenhuma incapacidade matemática, mas tão só da concretização da vida real através da matemática, ninguém precisa de dividir 10 rebuçados por zero pessoas…

Em determinada altura o casal José e Maria resolveu construir, em terrenos separados, duas cercas para as ovelhas não se afastarem muito para o que precisaram de fazer cálculos para determinar o comprimento da rede que tinham de comprar. Como ambas as cercas tinham a forma de um triângulo rectângulo, o José lembrou-se do teorema de Pitágoras (é verdade, o José era curioso, gostava muito de aprender coisas novas e tinha andado a ler um livro sobre a vida de Pitágoras).

Para poupar trabalho, resolveu medir o comprimento dos dois catetos e aplicar o teorema de Pitágoras para calcular o comprimento da hipotenusa (estou a partir do princípio que os meus leitores conhecem este teorema: o quadrado do comprimento da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos comprimentos dos catetos).

Uma das cercas tinha os catetos com os seguintes comprimentos (em quilómetros): 3 e 4 , pelo que facilmente concluíram que a hipotenusa (h) seria:

Eq 6

(o resultado, cinco, é um número racional, que já conheciam muito bem).

Entretanto, para a segunda cerca, cujos catetos, também em quilómetros, mediam 2 e 3, fizeram os mesmos cálculos aplicando o teorema de Pitágoras:

Eq 7

e, mais uma vez, outro problema: não existe nenhum número racional, ou seja, uma fracção, capaz de representar esta quantidade.
Surgem assim os números irracionais que, reunidos com os números racionais constituem o conjunto dos números reais (R):

Eq 8

O que o José e a Maria nunca chegaram a saber é que também podem ser calculadas raízes quadradas de números negativos, desde que, aos números reais, sejam reunidos os números imaginários, para assim se obter o conjunto dos números complexos (C),

Eq 9

mas esta é uma parte da história da evolução do conceito de número que vamos deixar para mais tarde.

Para terminar, falta referir que José e Maria foram muito felizes toda a vida e que tiveram apenas um filho!

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A Placa perdida do tempo dos Descobrimentos, visita a não perder

A placa que encontrámos na Capela de São Jerónimo no Restelo, em Lisboa.
Diz a placa que “A partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de Março.” A frase é escrita por um dos heróis ligados à aventura dos descobrimentos.
Que quer isto dizer?

Tome nota de uma placa alusiva aos “Descobrimentos” que descobrimos na Capela de São Jerónimo no Restelo, em Lisboa:

“A partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi foi segunda-feira, 9 de Março”.

Sua Majestade o Rei estava distraído? Então não sabia que a partida das naus tinha sido naquela segunda feira? E de que ano?

Placa; Capela Sao Jeronimo no Restelo
Placa; Capela Sao Jeronimo no Restelo

Fomos indagar o significado desta mensagem.

É uma frase curta escrita por Pêro Vaz de Caminha, escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral quando do descobrimento da Terra Nova.

A frase está na carta de Pêro Vaz para o Rei, dois meses após o início da viagem da armada de Cabral. Carta feita “Deste Porto Seguro, de vossa ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de Maio de 1500.”

A Carta conservou-se inédita por mais de dois séculos no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. Foi descoberta, em 1773 por José de Seabra da Silva e publicada pelo historiador Manuel Aires de Casal na sua Corografia Brasílica (1817).

Em 2005, este documento foi inscrito no Programa Memória do Mundo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Carta ao rei D. Manuel, comunicando o descobrimento da Ilha de Vera Cruz

Original carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei D Manuel I, Torre do Tombo, Lisboa
Original carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei D Manuel I, Torre do Tombo, Lisboa

Alguns detalhes da carta de Pêro Vaz de Caminha, do descobrimento da terra nova que fez Pêro Álvares:

“Senhor:

Posto que o capitão desta vossa frota e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que nesta navegação agora se achou, não deixarei também de dar minha conta disso a Vossa Alteza, o melhor que eu puder, ainda que, para o bem contar e falar, o saiba fazer pior que todos.

(…)

Portanto, Senhor, do que hei-de falar, começo e digo:

A partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de Março.

Sábado, 14 do dito mês, entre as 8 e as 9 horas, nos achámos entre as Canárias, mais perto da Grã Canária.

(…)

E domingo, 22 do dito mês, às 10 horas pouco mais ou menos, houvemos vista das ilhas do Cabo Verde, ou melhor, da ilha de São Nicolau, segundo dito de Pêro Escolar, piloto.

Na noite seguinte, segunda-feira, ao amanhecer, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com a sua nau, sem haver tempo forte nem contrário para que tal acontecesse.

(…)

(22 de Abril)

E quarta-feira seguinte, pola manhã, topámos aves, a que chamam fura-buchos.

Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra!

Primeiramente de um grande monte, mui alto e redondo, e de outras serras mais baixas ao sul dele, e de terra chã, com grandes arvoredos. Ao monte alto o capitão pôs nome o Monte Pascoal e à terra, a Terra da Vera Cruz.

(…)

(23 de Abril)

E à quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos direitos à terra (…) lançámos âncoras em frente à boca do um rio.

E chegaríamos a esta ancoragem às 10h, pouco mais ou menos.

(…)

E o capitão-mor mandou em terra no batel a Nicolau Coelho, para ver aquele rio.

E, tanto que ele começou de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia 18 ou 20 homens.

(…)

Ali não pôde deles haver fala nem entendimento (…) deu-lhes um barrete vermelho e uma carapuça de linho, que levava na cabeça, e um sombreiro preto.

Um deles deu-lhe um sombreiro de penas de ave compridas, com uma copazinha pequena de penas vermelhas e pardas, como de papagaio.

(…)

E com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver mais fala, por causa do mar.

(…)

Beijo as mãos de Vossa Alteza.

Deste Porto Seguro, de vossa ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de Maio de 1500.”
Pêro Vaz de Caminha.

Pêro Vaz de Caminha (Porto, 1450 – Calecute, Índia, 15/12/1500)
Escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral.

A história dos descobrimentos portugueses e em particular a descoberta do Brasil numa carta que pode ler em mais detalhe.

A versão PDF da carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel I, publicada em 1998 pela Expo98 está disponível para ser descarregada:

Clique aqui

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Onde comer em Viana do Castelo, na Tasquinha da Linda

Quando for a Viana não deixe de ir à Tasquinha da Linda na Doca das Marés. Um antigo armazém que foi reconstruido e agora é um restaurante onde pode apreciar bons peixes e mariscos.
A gastronomia de Viana do Castelo está aqui bem representada.

Procuramos restaurantes em Viana e após a descoberta, partilhamos uma experiência gastronómica imperdível, na Tasquinha da Linda, em Viana do Castelo.

Diz-se muitas vezes que o que faz a diferença são as pessoas. Pois aqui está um local onde as pessoas fazem, mesmo, a diferença. Sempre atentas, dispostas a ajudar, com sugestões que melhor se adequem aos gostos e preferências de cada um de nós. Claro que a Linda, além de o ser, é a alma que impulsiona e dá o mote. Conhece todos os “truques” dos peixes e mariscos e está no local exato para ter a melhor matéria prima. A lota é mesmo ali ao lado.

Na Doca das Marés, a Tasquinha da Linda tem um enquadramento fantástico, o porto de mar onde entram e saem os barcos que na sua faina trazem o peixe e o marisco acabado de pescar.

Junto ao mar em Viana
Junto ao mar em Viana

Estamos perto do Restaurante, ambiente marítimo, cheira a mar.

Linda vista Viana do Castelo
Linda vista Viana do Castelo

Lá está o Pássaro a olhar para nós, como se estivesse a dizer, “vai aí à tasquinha que é um antigo armazém mas foi reconstruido e agora é muito catita. Bom almoço”.

Ora então vamos lá a entrar.

Logo à entrada entre referências e títulos de jornais, encontrámos este quadro com uma fotografia dos pescadores e do pescado a ser leiloado. Um quadro adequado às tasquinhas fidalgas.

Quadro na Entrada da Tasquinha da Linda
Quadro na Entrada da Tasquinha da Linda

E o quadro conta-nos um pouco da história do restaurante. “O espaço resulta da recuperação de velhos armazéns onde os pescadores artesanais guardavam as suas artes. E a Linda, não desfazendo na tradição, serve os seus clientes com o melhor marisco e peixe frescos de Viana do Castelo. Carta de vinhos a condizer”.

A ementa apresenta-nos uma grande variedade de peixes e mariscos, há que decidir. Ora vejamos, massada de tamboril, robalo grelhado com batata a murro, polvo à galega em homenagem aos nossos “vecinos de Galicia”.

Bom, isto não está nada fácil. Peixes fescos e com ótimo aspeto, marisco lindo… O que vamos comer?

Aceitámos a sugestão da Linda e acabámos a degustar um Arroz de Lavagante. Sabor e cheiro a mar, bem cozinhado e generosa quantidade. Delicioso!

Claro, bebemos o vinho da zona, verde, na ocasião o Muros Antigos, do enólogo Anselmo Mendes.

Vinho Verde a acompanhar, na Tasquinha da Linda
Vinho Verde a acompanhar, na Tasquinha da Linda

E a Linda ainda nos sugeriu o local onde poderíamos comprar este vinho por bom preço.

Arroz de lavagante no Restaurante da Linda
Arroz de lavagante no Restaurante da Linda

Foi um repasto saboroso que recomendamos.

É uma tasca fidalga para peixes e mariscos, sem dúvida!

Não esquecer fazer reserva.

Comer bem em Viana do Castelo. A não perder!

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