Produções ilusórias de Escher, figuras impossíveis, incongruentes e desconcertantes

O artista Escher utilizou transformações geométricas, para obter figuras incongruentes, surpreendentes e figuras impossíveis, combinando matemática e arte e ao mesmo tempo arte e matemática. As produções ilusórias de Escher, enganam o nosso cérebro. Vamos visitar as pinturas de Escher. Obras de Escher, surpreendentes!

Na sequência do artigo em que abordámos a questão de quem foi Escher, visitámos a Exposição de Escher em Lisboa com as obras do artista Escher. Vimos problemas matemáticos e ilusões visuais, numa combinação de arte e matemática. Vamos ver as obras de Escher.

Tudo numa homenagem às possibilidades da mente humana. Figuras impossíveis e imaginativas, produções ilusórias de Escher.

Escher utilizou transformações geométricas, como rotações, reflexões e translações para dar aos seus objetos formas surpreendentes. Embora partindo de uma realidade concreta, essas transformações geométricas são calculadas de forma meticulosa em várias tentativas, para encontrar a “fórmula mágica” que transforma os seus quadros numa ilusão ótica, enganando o nosso cérebro com imagens aparentemente irreconciliáveis de figuras impossíveis.

Por vezes, faz uma simbiose entre objetos e formas que conhecemos, padrões geométricos que se transformam gradualmente, combinando-as com símbolos matemáticos, como o símbolo do infinito e dando forma a construções desconcertatntes e paradoxais.

As produções ilusórias de Escher, são assim a inclusão da matemática na arte e resultando em arte e matemática.

No “Encontro” vemos na parede um conjunto de figuras pretas e brancas, desenhadas de forma que parecem interpenetrar-se. Uma das produções ilusórias de Escher.

Tanto podemos ver figuras brancas sendo o preto o fundo da parede, como podemos ver figuras pretas sobre um fundo branco. Esta sequência de figuras vai-se aproximando de nós, à volta de um buraco redondo perpendicular à parede. As figuras pretas e brancas quando saem da parede, vão-se transformando em figuras humanóides. Os homens quando se apercebem do buraco existente, rodam à sua volta, contornando-o. As figuras vão evoluindo e esta ilusão de inteligência para contornar o buraco, cria-nos a sensação de que esses homens são agora reais. Vão-se aproximando uns dos outros de tal modo que acabam, mesmo à nossa fente por dar as mãos. Parece um encontro real e à escala tridimensional que começa por ser uma mescla de sombras a duas dimensões.

Encontro, 1944. Produções ilusórias de Escher.
Encontro, 1944.

O “Gafanhoto” desenhado num sistema bidimensional, é, na realidade tridimensional e o artista Escher, porque o desenho é ilusão, sugere uma realidade que não é, induzindo essa ilusão, porque parece que o gafanhoto está a sair do desenho.

Gafanhoto, 1935. Figuras Impossíveis
Gafanhoto, 1935

A “Metamorfose II” é a maior gravura que o artista Escher realizou. Tem 20 cm de altura e 4 metros de comprimento!

Na “Metamorfose II” vemos formas abstratas tornarem-se formas concretas e que voltam a tornar-se abstratas. Enquanto formas abstratas, indeterminadas, transformam-se em formas concretas bem delimitadas e, logo a seguir, essa objetividade mais próxima da realidade desaparece e dá origem a nova forma abstrata.

São as metamorfoses, como o artista Escher as denominou, formas abstratas a darem origem a formas concretas e estas, a novas formas abstractas e assim sucessivamente.

Vislumbramos favos a transformarem-se em abelhas ou as abelhas em favos,conforme quisermos imaginar. Quadrados que se transformam em lagartos para passarem a ser hexágonos, mutação de grande originalidade, por ser inusitada para a lógica do nosso raciocínio normal.

Mão com esfera refletora” é uma das obras de Escher mais conhecidas. Nela o autor procura integrar no mesmo lugar dois mundos diferentes. Para esta impossibilidade física aparente, ele cria uma ilusão, usando reflexões em espelhos convexos, dando a ideia de figuras impossíveis.

É assim que eu me vejo no interior desta esfera e qualquer outra pessoa não verá a mesma coisa. Verá um mundo diferente.

A minha mão segura a esfera e ao mesmo tempo segura todo o espaço que a envolve. Um mundo fisicamente muito pesado para poder segurar tão só com a minha mão. Curiosamente, a minha mão toca a mão que está no interior do espaço envolvente.

Mão com esfera convexa, 1935, artista Escher.
Mão com esfera convexa, 1935, artista Escher.

Na “Relatividade” encontramos três sistemas gravitacionais diferentes, convivendo como se fossem um espaço não gravitacional, como o dos astronautas que podem andar umas vezes com a cabeça para cima, outras vezes com o corpo com meia volta à direita ou com meia volta à esquerda ou, mesmo com a cabeça para baixo, sem que isso lhes cause perturbação.

Há três grupos de pessoas que convivem no mesmo espaço. O que para um dos membros de um grupo é um teto para outro grupo é uma parede. O que para um é uma porta para outro parece ser um buraco no chão.

Obras de Escher. Relatividade, 1953. Arte e Matemática.
Obras de Escher. Relatividade, 1953. Arte e Matemática.

Tomemos a posição que para nós é a normal, seguindo a pessoa que está na parte inferior do quadro e que está a subir as escadas. Ela pode subir a escada, no topo da escada à esquerda pode continuar a subir e vai encontrar um jardim. Se ela parar nessa entrada que dá para o jardim e não for em frente, tem duas outras hipóteses. Uma escada que sobe à esquerda e outra que sobe à direita. Se subir pela escada da esquerda vai encontrar dois companheiros do seu grupo e pela escada da direita também.

Há outro grupo que vive num mundo diferente. A pessoa que está sentada a ler um livro, localizada no meio da imagem, se levantar os olhos do livro, pode ficar perturbada. Será que tem os pés no chão, ou no teto ou na parede? Se ela se levantar e andar para a direita encontra uma pessoa que parece vir de uma cave com um saco às costas. Como é que esta vai conseguir chegar ao jardim?

Ela faz parte do grupo que tem a cabeça para a direita e vemos outro que desce a escada com uma garrafa, no lado direito do quadro. No final da escada pode virar á sua esquerda para entrar na porta. No alto dessa escada estão dois companheiros numa mesa de jardim. No cimo do quadro á esquerda, estão alguns com a cabeça para a esquerda e um deles desce a escada que vem do jardim. No jardim está um casal romântico deste grupo. No total temos 16 figuras. Completas produções ilusórias de Escher. Não acham?

Os três campos de gravidade diferentes são perpendiculares uns aos outros. Se conseguíssemos rodar um pouco o quadro perceberíamos melhor os movimentos das pessoas em cada um desses campos. Arte e matemática!

O “ambiente de relatividade” desta obra do artista Escher, tem sido sobejamento utilizado como cenário de vários filmes e o resultado, com figuras impossíveis, é sempre surpreendente.

Não perca esta exposição com as obras de Escher que continuará patente no Museu de Arte Popular em Lisboa, até ao próximo dia  27 de Maio.

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Fonte: O Espelho Mágico de M.C. Escher, de Bruno Ernst. Editor Taschen, 1991.

 

 

Vilas de Portugal. Sítios a visitar em Campo Maior

Campo Maior uma das vilas de Portugal, com uma história atribulada, fronteira com Espanha, ocupada por celtas, romanos, mouros e passagem das tropas francesas de Napoleão.
No interior de Portugal. O Alentejo profundo. Continuamos por este Portugal, para descobrir mais um dos lugares lindos e dos sítios a visitar.

Desta vez fomos passear pelo interior de Portugal, no Alentejo profundo. Depois de Arronches passámos por Campo Maior, mais um dos lugares lindos que vamos descobrindo por este Portugal.

Campo Maior uma das vilas de Portugal com uma história atribulada, fronteira de Portugal com Espanha, foi ocupada por celtas, romanos, mouros e passagem das tropas francesas de Napoleão.

Em 1297, após a assinatura do Tratado de Alcanizes, Campo Maior passou a fazer parte de Portugal, juntamente com Olivença e Ouguela.

No dia 16 de Setembro de 1732, durante uma violenta tempestade, caiu um raio sobre o Castelo que atingiu em cheio os paióis de munições e pólvora aí existentes. Foi uma explosão de tal forma violenta que destruiu praticamente uma das vilas de Portugal e matou grande parte da população.

Foi D. João V que mandou reerguer o Castelo, que ainda existe, embora neste momento se encontre quase destruído, por ter sido abandonado e vandalizado durante vários anos.

Referia a imprensa, em 2010, que viviam 50 famílias junto ao Castelo quando ocorreu um desmoronamento parcial do monumento.

Na Praça principal não podia faltar uma notável estátua de um dos grandes obreiros da riqueza da região na produção e comercialização de café, o Comendador Rui Nabeiro.

Estátua do Comendador Rui Nabeiro
Estátua do Comendador Rui Nabeiro

Mas Campo Maior tem muito para ver e aprender. A nossa próxima paragem foi no Museu Aberto.

É um Museu importante numa das vilas de Portugal mais ligadas à presença de Espanha ali a dois passos e que pretende mostrar toda a história desta zona e das suas gentes, desde a pré-história até aos dias de hoje. Um dos sítios a visitar e que não perdemos.

Lugares lindos a não perder. Museu Aberto
Lugares lindos a não perder. Museu Aberto

Uma das mais interessantes peças históricas expostas é o Trono Medieval com as armas do rei D. Afonso V que visitou Campo Maior e, então, a designou como “Campo de Flores” certamente encantado com a beleza florida que ainda hoje nos deslumbra.

Trono Medieval
Trono Medieval

Também, a Romaria de São Mateus, tem aqui lugar de destaque, ilustrado com o carro de canudos e trajes de romaria utilizados pelos Campomaiorenes.

Esta festa tradicional tem origem na Feira de S. Mateus, no século XVI, tendo mais tarde sido associada a uma peregrinação ao Santuário do Senhor Jesus da Piedade onde, em tempos idos, se teria dado um milagre, segundo a Lenda do Senhor Justo da Piedade  (em Lendas de Portugal de Gentil Marques). Esta importante romaria coincide com o fim do ano agrícola e os peregrinos vêm pedir que o novo ano agrícola seja um ano bom.

Romaria de São Mateus
Romaria de São Mateus

Como terra da raia, noutros tempos, Campo Maior teve no contrabando uma forma de sustento das suas gentes.

A figura do contrabandista está igualmente viva neste Museu, para apreciarmos e imaginarmos quão difícil era a vida para quem tentava o pão de cada dia, transportando mercadorias do outro lado da fronteira, através do rio Caia.

O contrabandista
O contrabandista

Na sala de aula, fielmente reproduzida à época, não falta a “Carta de Portugal Insular e do Império Colonial Português”, pela qual muitos dos “Baby Boomers” estudaram. Deles já falámos aquando do nosso périplo pela Nazaré, nos primórdios  da história do surf naquela vila.

A sala de aula
A sala de aula
Carta de Portugal
Carta de Portugal

Terminada a visita ao Museu Aberto, atravessámos a rua e entrámos no Lagar Museu do Palácio Visconde D´Olivã.

Lagar Museu
Lagar Museu, gentileza do Município de Campo Maior

No interior de Portugal, encontramos um Palácio seiscentista, o Palácio do Visconde d´Olivã rodeado por um jardim que foi um dos lugares lindos que encontrámos e um dos sítios a visitar e que nos seduz.

Pertença deste Palácio, o lagar de azeite, que se encontra muito bem conservado, mantém todos os instrumentos e aparelhos do início do século passado, usados na produção de azeite e que, no seu tempo, teve uma intensa actividade dedicada à olivicultura na região.

A nossa visita foi guiada e acompanhada com grande profissionalismo e simpatia, e ficámos inteirados de todo o ciclo de produção do excelente azeite desta região.

Trabalhadores na apanha da azeitona
Trabalhadores na apanha da azeitona, gentileza do Município de Campo Maior

No final da visita, fomos presenteados com uma prova de azeite e de azeitonas desta zona de Campo Maior.

Prova de azeite e azeitona
Prova de azeite e azeitona, gentileza do Município de Campo Maior

Saídos do Lagar Museu, andámos passeando pelas ruas de Campo Maior, cujo Jardim Municipal é muito reconfortante e permite recuperar forças para continuarmos a nossa visita.

Jardim Municipal de Campo Maior
Jardim Municipal de Campo Maior

Por último, visitámos o Centro de Ciência do Café, já fora da vila.

Sítios a visitar, o Centro de Ciência do Café, Campo Maior uma das Vilas de Portugal
Sítios a visitar, o Centro de Ciência do Café, Campo Maior uma das Vilas de Portugal

O Centro de Ciência do Café é uma obra que dá sequência à grande indústria que se estabeleceu em Portugal em torno do café e devido ao espírito empreendedor do Comendador Rui Nabeiro. Um dos sítios a visitar.

O cafezeiro dá-se em climas quentes e húmidos, no Brasil, São Tomé e Príncipe e Timor, para falar de alguns países de língua portuguesa, mas é em Portugal que é feito o aperfeiçoamento dos vários tipos de café e onde, agora, se investigam as melhores formas de combater as pragas e doenças que afectam as plantações.

Um centro moderno que concilia a divulgação do conhecimento com o lazer, oferendo actividades lúdicas e interactivas que entusiasmam pequenos e grandes, e ajudam à promoção da cultura do café.

Em particular, são impressivas as entrevistas a antigos contrabandistas de café, portugueses e espanhóis que relatam na primeira pessoa as vivências daqueles tempos. Algo a não perder.

Finalmente, à história do café está definitivamente ligado o nosso Rei D. João V, grande impulsionador desta riqueza natural, principalmente oriunda do Brasil.

Rei D. João V
Rei D. João V

Um curto video da entrada do Centro,

E já de regresso um video dos nossos campos no Alentejo,

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